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Fotografia e Versatilidade
(Texto e imagens copyright© Itaci)

Sobre o autor:
Itaci é fotógrafo com quarenta anos de experiencia tendo trabalhos publicados nas principais revistas nacionais e internacionais, tais como Elle, Playboy, Sexy, Vogue entre outras.
Mais sobre o autor em : http://www.flickr.com/photos/40848634@N02/
Fotografia e Versatilidade
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(Página: 1, de 1)
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Estava procurando no meu baú um assunto que fosse interessante, algo que demonstrasse versatilidade na fotografia, não queria apontar grandes nomes, mas alguém que estivesse próximo da nossa realidade.

Falar dos “MASTERS OF PHOTOGRAPHY”, seria algo como que vindo da imaginação e um pouco fora do nosso brasileirismo.

Após alguns dias de busca, achei um camarada muito legal, uma pessoa desprovida de qualquer forma de atitudes ou pensamentos nocivos à profissão, um sujeito parceiro e sempre disposto a ajudar os colegas quando solicitado.

O fotógrafo profissional brasileiro precisa ser um camaleão, fazer um pouco de tudo para sobreviver e Mário Castello é um destes profissionais.

Há alguns anos conheci Mário Castello através de um grande amigo fotógrafo e outra grande amizade também começou. A admiração do trabalho de um e do outro foi recíproca e daí em diante sempre estamos trocando informações e mostrando o que fizemos ultimamente. Esta relação entre fotógrafos, sejam eles profissionais ou amadores, é de extrema importância e a troca de informações é muito importante.

O que é ser fotógrafo? Independente de ser profissional ou não, esta é uma pergunta que sempre me fiz e cheguei a seguinte conclusão: Ou a gente nasce com uma câmera pendurada no pescoço ou em determinado momento de nossa vida a fotografia passa a ser parte da alma da gente.

Castello é uma dessas pessoas, a qualquer momento que o encontramos ele está com uma bolsa pendurada no ombro, hora com a Leica e filme preto e branco, hora com a D200 ou a D70 e sempre disposto a clicar algo interessante, um retrato, uma cena ou qualquer outra coisa boa de ser clicada. Este é o verdadeiro fotógrafo, é movido pela vontade, curiosidade e interesse de clicar.

A busca pela qualidade e aperfeiçoamento de sua fotografia faz com que Castello utilize equipamento adequado as suas necessidades. Quando o conheci, (antes das digitais chegarem ao mercado), Castello usava duas Leicas com objetivas de 35/50/135 mm, depois de vendê-las, comprou uma D70 com algumas objetivas Nikon. Quando surgiram alguns trabalhos de arquitetura para a “Camargo Correa”, ele adquiriu uma Hasselblad com objetivas angulares e clicou belíssimas fotos de arquitetura e assim por diante. Castello me mostrou algumas fotos e falou do prazer em fotografar com Hassel, a qualidade das imagens, o enquadramento no formato quadrado (6x6cm), muitas vezes necessário na fotografia de arquitetura.

Em outros trabalhos encomendados pelo “Sesi, Alpargatas, cobertura de eventos e outros”, ele clica com D70 e D200 para atender a demanda de seus clientes, mas não resistindo à tentação voltou a utilizar Leica em suas incursões pessoais.

Perguntei ao amigo:
- Porque Leica e filme depois de tanto tempo no digital?
- Saudades do filme! Respondeu.
O resultado das fotos de paisagem fica melhor em filme, as nuvens não ficam estouradas e como um bom e velho “Leica maníaco”, a qualidade das objetivas “Summicron” e mais, de tanto clicar em digital a gente precisa retornar ao filme para sentir melhor o gosto de fotografar, aguardar o resultado da revelação, fazer um print manual, ir ao laboratório, rever amigos e outras coisas mais.

Então... Este é o verdadeiro fotógrafo! Tem toda a tecnologia presente, mas sente a necessidade de voltar ao passado para resgatar uma nova motivação na sua fotografia. Compreendo sua atitude, pois pertencemos a uma mesma escola dos fotógrafos mais antigos, quando fazíamos “Ektachromes” e ao ver o resultado após duas horas de espera, era um verdadeiro regozijo.

Castello está sempre viajando a trabalho, seja para Brasília, Porto Alegre ou para São Bento do Sapucaí, já viajou pela Europa, de onde trouxe em sua bagagem belíssimos registros fotográficos. Confesso ser um admirador das fotografias do meu amigo Castello, toda semana ele me apresenta novas imagens clicadas com verdadeiro carinho, mas o que mais me encanta é a coleção de fotografias da filha “Gabi”, desde criança até os dias de hoje na sua adolescência, são belíssimas imagens de um pai fotógrafo e carinhoso.

Em um dos meus encontros com Castello, resolvi fazer uma pequena entrevista para que ele me desse mais detalhes da sua vida profissional e aí está o resultado.

Castello, onde e quando você nasceu?

R: Sou natural de São Paulo – capital e nascido em 05/11/1958, ano do primeiro título mundial do Brasil, da bossa nova, da construção de Brasília... Uma boa época... Anos de romantismo.

Onde, quando e de que maneira você iniciou na fotografia?

R: Aos 10 anos de idade ganhei da minha tia Dirce uma câmera KAPSA, que usava filmes no formato 120 e a tenho guardada até hoje em meu acervo. Naquela época tomei gosto pela fotografia vendo minhas fotos de criança, que meu primo Carlos, fotógrafo profissional, fazia com sua Rolleiflex.

Nos anos 70, já empolgado e curioso com a fotografia, pedi a minha tia que me emprestasse uma Olimpus Pen que ela guardava com muito carinho e fiz uma viagem pelo Litoral Norte, fotografando tudo que achava interessante. Este foi o início do aprendizado.

Em 1978 comecei a trabalhar na Secretaria Municipal da cultura, no IDART, na área administrativa, na época era um departamento que documentava os eventos culturais da cidade, exposições em grandes museus, teatro, dança e outros. Localizado no centro velho de São Paulo, no Solar da Marquesa de Santos. Da área administrativa pulei para o setor que cuidava do acervo e conheci o grande restaurador e uma sumidade em preservação de imagens, João Sócrates de Oliveira.

João restaurou na época, todo o acervo do fotógrafo Militão de Azevedo e os filmes da Cinemateca Brasileira entre outros trabalhos e me mostrou como montar um pequeno laboratório fotográfico. Através dele conheci o ampliador Focomat, da Leica, que depois de alguns anos o adquiri na Cinótica, de Mario Arroyo que também me incentivou muito na fotografia.

Em 1981, o IDART se transferiu para a Casa das Retortas e eu para o setor de fotografia, me tornando assim um dos profissionais do departamento. Trabalhava ainda como aprendiz, mas já era autor de algumas imagens de qualidade.

Em seguida o IDART se transformou no Centro Cultural São Paulo e o Arquiteto Ricardo Ohtake assumiu a diretoria. Fiz um ensaio fotográfico do projeto dos Arquitetos Eurico Prado e Luis Telles e mostrei ao Ricardo que gostou e me designou para o trabalho dos “60 anos da Semana da Arte Moderna”. Fotografei o Teatro Municipal para um folder, meu primeiro trabalho publicado e fotografado com uma Nikon F3 do departamento e objetivas 35 e 85 mm F2.0, Kodak Ektachrome 64 ASA e Kodak Tri X.

Qual equipamento você possuía na época, até quando e para quem trabalhou?

R: Em 1983 minha outra tia Lourdes, vendo minha paixão pela fotografia me presenteou com uma Leica M3 e Summicron 50mm F2.0. Em seguida comprei uma Elmar 90mm F4 e fiz muitos retratos, inclusive de minha avó, já falecida. Minhas tias tiveram uma grande participação em minha formação profissional.

No antigo prédio da Rua 7 de abril, 79- 3° andar, o saudoso Okada se instalou e mudou a história da fotografia paulista e brasileira, comercializando equipamentos novos e semi-novos a preços justos. Tenho certeza que, grandes nomes da fotografia brasileira passaram por sua loja. Foi lá que comprei uma Nikon FT3 com objetiva 28mm F3.5 e uma 105mm F2.5, que considero uma das melhores objetivas feitas pela Nikon.

Já em 1985, equipado com uma Nikon FM e uma F2A, comecei a fotografar como free lancer para a SAGE, uma empresa americana que elaborava Áudio Visual para grandes empresas. Viajando pelo Brasil aprendi muito, pois produzi imagens em mais de 500 indústrias, siderúrgicas, farmacêuticas e até florestais. Em 1986 sai do Centro Cultural SP e fiquei trabalhando como free lancer para a SAGE, Agencia do Estado, Isto É Senhor, Exame, Veja SP e Hippus, onde conheci o empresário que se tornou um amigo, Sérgio Murad o BETO CARREIRO.

Da amizade nasceu a oportunidade de fazer a legendária foto do cavalo empinando, que se tornou sua marca em todos os lugares. Na TV, vinha acompanhada de um raio e som característico. Beto me disse na época, que foi sua melhor foto empinando o famoso cavalo Faísca.

Em 1989 fiz um ensaio do Memorial da América Latina, para a Revista Classe da TAM. Levei as fotografias para a diretora e grande fotógrafa Maureen Bisiliat, que editava o livro do Memorial da América Latina com os fotógrafos Cristiano Mascaro, Andréas Heininger e Calazans (falecido em 2007). Maureen me pediu que fotografasse 5 áreas que faltavam para a finalização do livro e no final, ganhei a capa com a foto que uso até hoje em meu cartão de visita. Gosto muito do grafismo e da cor, essa foto foi feita com uma Nikon FM e objetiva 35mm F2.8 e filme Kodak Ectachrome.

No mesmo ano, viajei de helicóptero pelo estado de São Paulo fotografando os CATS, Centro de Atividades do SESI/SP, também usando a velha Nikon FM.

Minha maior alegria e felicidade foi em 1991, quando ganhei um presente muito especial, minha filha Gabriela, que comecei fotografando no parto e fotografo até os dias de hoje. Ela tem sido minha principal modelo, especialmente quando vou à Serra da Mantiqueira onde ela mora e sempre renovo meu acervo!

Nesses anos, fotografando para o SESI, tive a oportunidade de voar de balão e fotografar, assim como também participei do livro Teatro do Sesi 40 anos, com fotos de peças realizadas no legendário teatro.

Quais os seus clientes atualmente?

R: Atualmente tenho alguns clientes fiéis como a Camargo Corrêa, Alpargatas, CNI, Fiesp, Sesi, Senai, Escritório de arquitetura Athie Wonhrat e outros. Sou voluntário da APAE SP e da WCF Brasil, fundada pela rainha Silvia da Suécia, que combate o abuso contra crianças e adolescentes.

O que você mais gosta de fotografar?

R: Profissionalmente... Arquitetura, industria, meio ambiente e passando pelo retrato.

Trabalhos pessoais... Gosto de clicar paisagens, cidades, fotos de rua e crônicas visuais de locais visitados.

Qual o seu equipamento atual?

R: Atualmente tenho 3 Nikon: F601 / D70 / D200 com objetivas AF 14 – 18/35 – 35/70 – Micro AF – 85 – 70/210mm (todas Nikon).

Leica M4-2 com objetivas 35 – 50 – 135mm.

Hasselblad 500 CM e SWC com objetivas 38 – 50 – 60 – 100 – 120 – 250.

Rolleiflex Tessar F3.5.

Nikonos

Digital Lumix com objetiva Leica que levo no bolso.

Qual a sua opinião entre digital e película?

R: O digital veio para dar ao fotógrafo agilidade e maior possibilidade no controle técnico de sua obra. É incrível fotografar e poder mexer na estrutura da foto através de uma tela de computador. Veja o exemplo da arquitetura, no passado usávamos a báscula das 4x5 para correção da perspectiva e hoje trabalhamos essa correção eletronicamente. Antes fazíamos um pré-ajuste na câmera e agora um pós-ajuste no photoshop.

A fotografia digital, a cada dia se torna mais precisa, a Hasselblad lançou a H3DII de 50 Mp e as Nikon e Cânon também são equipamentos de ponta.

Prefiro Nikon, pela possibilidade de uso das antigas objetivas e por sua durabilidade. Tenho uma D70 desde 2004 e continua firme e forte. Em minha opinião, os tons de pele obtidos com a Nikon, são mais naturais.

Para as fotografias em p&b, apesar do uso da digital ainda prefiro a película, pela textura e a melhor reprodução dos brancos em altas luzes.

Não tenho preferência pela fotografia colorida ou p&b, cada qual com sua linguagem. Ultimamente em minhas viagens tenho preferido o p&b, pela maneira de mostrar a realidade e o mundo de uma forma única. As nuances de tonalidades de cinza, aliados ao preto e branco podem proporcionar belíssimas imagens

Acho que a película tem alma, é real. Podemos tocar no seu suporte, o negativo ou diapositivo tem química, utiliza água, que compõe todos os seres vivos.

O digital tem definição, cor, controle, inúmeras possibilidades de manipulação, controle sobre os gastos, enfim... Uma arte eletrônica.

Cabe ao fotógrafo escolher e transitar nas duas linguagens, tirando o máximo proveito para seu trabalho, enquanto existirem e não forem criadas outras formas de ver o mundo.

..........................................................................................

Quando escolhi Mario Castello para este artigo, o fiz por conhecer sua objetividade e naturalidade ao falar de fotografia. O que mais eu poderia dizer ou explicar.

Se uma foto vale mais que mil palavras, comentar suas fotos aqui apresentadas seria bobagem, convido vocês a conhecerem o trabalho de um grande fotógrafo.

 


Imagens Copyright© Mário Castello  
 
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