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Jovem com muito talento
(Texto e imagens copyright© Itaci)

Sobre o autor:
Itaci é fotógrafo com quarenta anos de experiencia tendo trabalhos publicados nas principais revistas nacionais e internacionais, tais como Elle, Playboy, Sexy, Vogue entre outras.
Mais sobre o autor em : http://www.flickr.com/photos/40848634@N02/
Jovem com muito talento
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(Página: 1, de 1)
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  Parece que o Baú do Ita tem algumas preciosidades guardadas e espero também que, vocês estejam gostando delas. Tenho buscado fotógrafos com verdadeiro talento nato, gente que ama verdadeiramente o que faz e que dedica Full Time para isso.

Existe no foto jornalismo brasileiro, vários fotógrafos em atividade, famosos e não famosos, dos quais alguns eu conheço pessoalmente e há muitos anos. Evandro Teixeira, Valter Firmo, Pedro Martinelli e outros, são profissionais que estão por aí há uma longa data, tornaram-se famosos com suas fotografias em publicações de livros, jornais e revistas.

Traçar um caminho, construir um nome e mantê-lo em destaque não é fácil. È importante amar o que fazemos para passar pelas intempéries da vida e da profissão, que no Brasil ainda é complicado. Ser famoso quer dizer que seu preço é diferente daquele que não é famoso e muitas vezes, os clientes não estão dispostos a pagar, eles preferem alguém menos conhecido, que preencha as necessidades e com um preço mais acessível. É triste que esta forma de pensamento exista na hora da escolha e contratação do profissional.

Não somos objetos fabricados em série, somos seres humanos com emoções e sentimentos que nos permitem criar verdadeiras obras fotográficas, mas, o mercado tem suas necessidades, o dinheiro e o poder de barganha. É ai onde está à decisão difícil e o verdadeiro fotógrafo profissional, aquele que sabe como se posicionar diante de tal decisão. Não é fácil saber que o assunto a ser fotografado nos interessa, mas, que o valor ofertado, está aquém do que o nosso trabalho realmente vale. Manter-se fiel aos princípios ou vender-se por qualquer preço?

Em 2006 conheci um jovem fotógrafo através de outros amigos foto jornalistas, todos associados à ARFOC, outros encontros casuais ocorreram e aos poucos fui conhecendo este jovem que atualmente tornou-se um amigo, o Edilson Dantas. Conforme ia conhecendo Edilson e vendo suas fotografias, mais e mais eu gostava do seu trabalho, tanto a cores como em preto e branco. Lembro-me de fotografias que ele havia me mostrado e que iria para a Exposição Coletiva da ARFOC, no Centro Cultural São Paulo, quatro fotos em PB, sobre os efeitos da seca no Nordeste. Estas imagens me marcaram pela beleza e pela poesia com a qual Edilson havia retratado a situação.

Desta época em diante, minha amizade com Edilson e minha admiração pelo seu trabalho foi crescendo e de novo na última Exposição Coletiva da ARFOC, ele nos surpreendeu com algumas belas imagens.

Na Galeria 7 de Abril, no centro da cidade de São Paulo, aos sábados pela manhã, um grupo de senhores Leica Maníacos, reúnem-se em frente a Angel Foto. Todos muito simpáticos e adoradores de câmeras LEICA, este acontecimento já é parte do “folclore da fotografia paulista” e todos já conhecem, na verdade todo mundo se conhece e dai vem as trocas de informações, brincadeiras e divertimento. Para os mais novos fica sendo o dia da preguiça, quando se tem nada para fazer, então, vamos ao centro bater papo com os amigos. Assim conheci Edilson e numa dessas nossas conversas mais recentes, fiz uma pequena entrevista com ele.

Jovem e talentoso, pessoa simpática e agradável de conversar, sempre de bom humor, Edilson Dantas nasceu em 09 de novembro de 1965 na cidade de Santo Anastácio no interior do estado de São Paulo.

Edilson, quando e o que te levou a se tornar fotografo?

Não me lembro exatamente quando comecei a fotografar. Conversando recentemente com minha mãe, ela me disse que sempre fui interessado pela fotografia. Minha primeira fotografia, quando a fiz, deveria ter uns 13 anos de idade e ainda mais, vivendo no interior, era muito raro ver uma câmera fotográfica. Comprar então, era quase impossível!

Quando entrei para o serviço militar na cidade de Nioaque-ms em 1984, vi uma câmera profissional pela primeira vez, era algo fabuloso para mim e parecia inatingível. Comprei então uma câmera que se chamava LOVE, aquelas pequeninas de lente fixa, que precisava mandar para Manaus para revelar o filme e te mandavam outra de volta, custavam um monte de dinheiro e era de qualidade ruim.

Quando estava no exército, o que registrei foi com esta câmera e ao dar baixa no serviço militar vim para São Paulo. Através de um amigo que sabia da minha vocação para a fotografia, conheci o SENAC, onde fiz meu curso para aprender a profissão. Era 1988 e o professor Sussumo, um japonês de fino trato com a fotografia me deu incentivo e então comprei minha primeira câmera com controle de velocidade e diafragma, uma ZENIT XP11, de origem pouco tradicional, de fabricação Russa e fiz todo o meu curso com ela.

Durante uma exposição fotográfica dos alunos do SENAC, uma fotógrafa do jornal Folha de São Paulo, comentou com o meu professor Sussumo que havia gostado muito de uma fotografia minha e que eu deveria seguir carreira do foto jornalismo, foi o estopim!

Terminei o curso e logo fui indicado por um amigo para trabalhar no jornal Metro News o que para mim foi uma grande escola. Foi no ano de 1989 e daí em diante passei por vários jornais e me diverti um pouco na publicidade.

Tentei ser economista, mas, acabava sempre debruçado sobre os livros de fotografias. Atualmente com a ajuda da tecnologia digital, tenho fotografias publicadas em muitos jornais e revistas do Brasil, tais como, O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, O Globo, Veja e o Diário de São Paulo (meu atual emprego). Fora do Brasil, também publiquei e publico em outras mídias tais como Dallas News, Miami Herald, Washington Post, Southern Ledger, The Huffington Post, Times Daily, Sun Herald, Examiner National, Sports Tricities, etc…


Porque especificamente escolheu o foto jornalismo?

Já fiz fotografia publicitária também, mas eu não gostava de ficar preso a Layout, queria ficar solto e me expressar através da imagem, em certos momentos a fotografia e para mim a maneira de expressar o que não sei dizer em palavras.

O que você mais gosta de fotografar?

Gosto de fazer ensaio do tipo documentário, entrar numa história e contá-la através da fotografia, isso me proporciona um grande prazer em fotografar e ver o resultado oportunamente publicado.

Todo fotógrafo paga mico em algumas pautas, qual mico foi o mais marcante para você?

Quando morreu o Ayrton Senna, eu trabalhava no jornal Metro News e fui fazer a cobertura, era o único representante do MN e precisava de um lugarzinho em cima do caminhão do Corpo de Bombeiros, lá em cima já estavam dois fotógrafos da Folha e dois do Estadão. Um Capitão do Corpo de Bombeiros não queria me deixar subir, porque, segundo ele, não havia mais espaço para ninguém. Continuei insistindo, mas, não houve acordo. Em dado momento o Capitão se distraiu e eu rapidamente comecei a subir no caminhão, já estava quase lá em cima, faltava só um pouquinho, mas, ele viu e agarrou minha perna direita e me puxou para baixo aos berros… Foi vergonhoso! Os jornalistas de texto e mais alguns fotógrafos que estavam esperando uma oportunidade para subir, também entraram na “briga” e pressionaram o Capitão pedindo o nome do comandante dele e etc… Conclusão, eu subi no caminhão e acompanhei todo o percurso do cortejo ate o cemitério. Foi a cobertura que me marcou muito, houve um momento que eu parei de fotografar e passei a ser um admirador do piloto. Não demorou muito para que as lágrimas começassem a escorrer pelo meu rosto e um cinegrafista da Band, vendo aquilo, imediatamente apontou sua câmera para mim. Eu rapidamente apontei a minha para ele, não queria que gravasse aquele momento, mas em seguida pensei… Estranha a minha atitude, pois eu estava fazendo o mesmo com as outras pessoas. Claro que já paguei outros micos, mas, este foi o mais marcante na minha trajetória profissional.

 

Você tem desenvolvido ensaios pessoais?

Atualmente desenvolvo dois ensaios, um sobre Ferrovias e outro sobre os Efeitos da Seca no Nordeste, são ensaios longos e é preciso tempo para fotografar, aos poucos, quando surgem as oportunidades eu viajo e fotografo o máximo que posso. É verdadeiramente gratificante ver o resultado do material fotografado.

Qual equipamento você gosta de usar?

Depende do que estou fotografando, ainda sou adepto do filme PB e a maior parte das minhas fotografias são em 35 mm. Para o dia a dia do jornal ou outros trabalhos que precisam ser entregues rapidamente, eu uso a digital, uma Canon 40 D, é uma exigência do mercado. Para meus ensaios pessoais onde uso filme PB também uso Canon.

Quais são os foto jornalistas brasileiros que você admira o trabalho?

Fica difícil dizer, a meu ver são vários, mas, tem um que me chama mais a atenção, pela criatividade de suas fotos, e o Jonne Roriz.

Qual a sua opinião sobre o foto jornalismo brasileiro no geral?

O foto jornalismo brasileiro é carente de grandes reportagens, falta incentivo por parte das empresas. Hoje, se vamos fazer uma cobertura das eleições de um país vizinho, boa parte dos jornais opta por comprar fotos de agencia internacional, não há um aprofundamento da reportagem fotográfica pelos fotógrafos brasileiros.

Os veículos de publicação aumentam a quantidade de páginas falando da vida de celebridades, novelas e músicos, que logo caem no esquecimento. Divulgação de cultura inútil, etc… Parece que os editores da mídia impressa visam somente os fins lucrativos, pouco se importando com a qualidade do conteúdo, aproveitam as oportunidades do mercado imediato e descartável. Se o povo só quer ver isso, é lógico que a mídia disponibilizara para todos.

Acho que fica dispensável qualquer comentário além do que Edilson Dantas opinou sobre o foto jornalismo brasileiro. Acho que todos os fotógrafos são unânimes em opinar da mesma forma, inclusive eu.

Outro dia estava assistindo um documentário sobre a História da Fotografia, mostravam o lançamento da primeira câmera fotográfica Kodak, na época foi um verdadeiro sucesso e George Eastman tornou-se um dos mais famosos e bem sucedidos precursores da fotografia, mesmo porque, seu marketing foi de pleno sucesso. Ela deu gratuitamente, para 500.000 mil crianças com 11 anos de idade, uma câmera Kodak. Um verdadeiro incentivo para a fotografia e para seu negócio.

Quando o criador da Câmera Polaroid lançou seu produto no mercado, seu slogan era de que, a partir daquele momento, qualquer um poderia ser fotografo. A renomada fotógrafa americana Marie Cosindas, trabalhou durante anos com o filme Polaroid em formato 4x5 polegadas, não com uma pequena câmera instantânea.

Itaci Batista.

 
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