FOTOGAFIAS DE PETS
Olá caros amigos e amigas, já
escrevi alguns artigos para este simpático site, falei de
fotos de boxe, culinária, moda, fotojornalismo, apresentei
alguns colegas e desta vez quando me foi pedido mais um artigo,
fiquei pensando, sobre o que poderia escrever e mostrar alguns
exemplos?
Meu campo de trabalho é amplo,
abrangendo as mais variadas áreas e como sempre, as surpresas
aparecem trazendo novas experiências.
Apesar de ser um "macaco velho",
também dou minhas cabeçadas, coisas novas e diferentes
do que estamos acostumados, são desafios e eu gosto.
Mais ou menos a dois anos passados,
minha cadelinha Julie, da raça Dachshund morreu, foi uma perda
muito triste para toda a família, pois ela morreu com apenas
nove anos de idade.
A veterinária, minha amiga Dra.
Márcia Rizzi, que vinha cuidando dela, não deixou por
menos, me presenteou com outra cadelinha da sua criação,
da mesma raça e do pelo duro, Arlequim, cinza e branca. A
minha vida e a da minha família voltou a ficar cheia de
alegria e felicidade.
A partir daquele momento um novo
horizonte se abriu para mim quando a Dra perguntou se eu fotografaria
alguns dos seus pets, pois ela precisava de fotos para por no seu
site.
Topei o negocio, mas, fiquei pensando,
como nunca havia feito fotos deste tipo, diferente daquelas porcarias
caseiras que fazemos dos nossos pets, precisaria fazer de um jeito
bonito e comercial para ela vender seus bichinhos.
Logo no primeiro dia, fiquei um pouco
preocupado, eram uns dez cãezinhos adultos, uns 5 gatos e
algumas ninhadas de cães e gatos. Como tenho pouco cabelo e
normalmente raspo a cabeça, aí então perdi o
restinho que ainda me restava.
Esta primeira série, demorou
dois dias inteiros, entre banhos, escovações, minha
pouca pratica em lidar com o bichinhos naquela nova situação
me deixou exausto.
Neste momento descobri que gostava e
gosto muito dos animais, cada um tem a sua personalidade, cada um nos
conquista da sua forma, com carinho, com cara de chantagista e pidão,
mal humorado, enfim, são autênticos!
Recentemente acabei adotando mais duas
cadelinhas Dachshund (salsicha), desta vez do pelo longo. Uma tem um
ano, nasceu cega e surda. A outra tem cinco meses e nasceu surda
também, as duas são de ninhadas diferentes, são
uns amores de carinhosas, brincalhonas e levam vida normal, até
passeiam na rua.
É gente, fotografar pets, não
basta ter somente técnica de fotografia, é preciso
gostar de fotografar, gostar dos bichinhos e sobre tudo: Ter
muita paciência, este
é o verdadeiro pulo do gato!!!
Não basta ter a super câmera
com a super lente com os super flashes e o super estúdio, é
preciso paciência, pois bicho faz o que bem entende na hora que
quer. Vai fazer o xixi bem no meio do seu fundo, na hora que ele bem
entender e vai olhar pra sua cara abanando o rabinho cheio de alegria
e a gente vai olhar, dar rizada e trocar o fundo sem reclamar.
Quando fiz a primeira série de
fotos, aqueles trocentos cães e gatos, foi um verdadeiro
intensivão de fotografia de pets, trabalhei com uma objetiva
de 35mm que virava uma 50mm pelo fator crop da câmera. Descobri
aí que era a melhor lente a ser usada e o diafragma a f11.
Na época usava uma sombrinha ou
um flash rebatido no teto (bounce light) pra eliminar as sombras,
pois cachorro da raça Shih Tsu, as vezes tem a carinha de um
lado preta e do outro branca, se a luz não estiver bem
distribuida, a gente acaba perdendo um lado ou o outro.
Fundos como rosa ou azul, são
ingratos, pois invadem na pelagem e no queicho branco do bichinho e
as vezes altera a cor dos olhos. Eu particularmente prefiro a cor
ocre ou bege, são mais neutros. O fundo preto ou cinza também
serve, mas, na minha opinião, são um pouco tristes.
È preciso evitar muito
tratamento no photoshop, a cor da pelagem precisa ser mantida na cor
original e dependendo do fundo pode haver invasão de cor pelo
fato da luz ser rebatida. O tratamento das minhas imagens é
básico, (níveis, brilho e contraste, curvas, hue
saturation pra tirar invasão de cores e unsharp mask.
A imagem deve vir da câmera um
pouquinho mais densa que o normal, pois fica mais fácil de
trabalhar o brilho e contraste sem estourar os brancos. O ideal é
clicar em raw, mas quando é muita foto a gente vai passar dias
tratando imagens, eu na verdade faço em jpg, pelo fato de ser
mais rápido e continua com qualidade.
Este é o meu jeito de clicar
mas acho que cada um deve achar o seu próprio.
Na primeira serie que cliquei, uma
simpática gata Abisinia, aproximou-se e deu uma lambida bem
gostosa na minha objetiva, em seguida grudou com as patas dianteiras
na parede do fundo de TNT e se deixou escorregar, rasgando tudo e
achando tudo muito legal. Só me restou limpar a objetiva,
trocar o fundo e dar rizada.
É preciso limitar o espaço
se a gente quer segurar o bicho sem precisar travar lutas corporais.
Eu uso a mesa de cirurgia da clinica, cubro com TNT e por baixo do
tecido coloco algo macio para não ficar no inox duro. Faço
como se fosse um fundo infinito. Os filhotinhos, coloco em caminhas
própria para pets, com mantas de pets e eles gostam do macio.
As fêmeas, fotografo no rosa e os machinhos no azul claro pra
diferenciar, pois nesta idade de filhote é difícil
distinguir quem é o que.
Normalmente são necessárias
três pessoas, o fotografo na frente e uma de cada lado para não
deixar o bichinho fugir. Tem gato ou cachorro que quer fugir quando o
flash dispara, as reações são inesperadas, é
preciso ficar muito atento, pois se um bichinho destes cai de cima de
uma mesa, a lesão pode ser grave. Outro motivo é
conservar o animalzinho de frente para o fotografo e no meio do
fundo, caso contrario a gente fica louco correndo atrás e
tentando tapar o espaço do fundo que falta.
Filhotes, parece fácil de
fotografar, mas, na verdade são os mais difíceis,
querem virar de cara pro fundo, ficam achatados no piso do fundo,
quando muito pequenos querem dormir ou so olham para baixo e nada
interessa pra eles. É praticamente um clique por vez e bem
devagar!
Não faço muitos cliques
de um mesmo animal, no máximo dez e todas devem ser
aproveitáveis, não adianta sair disparando como um
alucinado porque vai estressar o animal.
Na série das fotos no Gatil,
Bengals e Abisinios, dava um clique por vez porque os gatos não
paravam quietos. Lá sim, fui um verdadeiro caçador de
imagem, ora pra cima no minuto seguinte pra baixo, abaixa, levanta,
vira para um lado vira para o outro, uma hora depois parecia que eu
tinha malhado tudo que podia numa academia, estava todo dolorido.
Quando se fotografa o animal de pé,
é preciso que apareçam as quatro patas, o rabo inteiro
e a cabeça levantada, a pelagem arrumada, principalmente
animal premiado.
Este tipo de foto é mais
complicado, durante um concurso fica mais fácil, já no
estúdio improvisado é quase impossível, o animal
estranha e é difícil conseguir a foto. Ao ar livre, em
externa é mais tranqüilo (se ele não sair
desembestado correndo pelo espaço livre), principalmente para
os de grande porte, aí é necessário uma meia
teleobjetiva.
Atualmente clico com uma D70 e uma
objetiva 1855mm da Nikon, uso um speedlight SB600 e fico próximo aos bichinhos, posso passar a mão
fazendo um carinho, chacoalhando alguma coisa para chamar atenção
e deixando eles se familiarizarem com a câmera, o flash e
comigo.
É melhor evitar o flash direto
nos olhos do bichinho, pode causar alguma anomalia na visão.
Nem só de belezuras vive o
mundo pet, de tanto ver atendimentos veterinários para animais
sofrendo, também comecei a fotografar cirurgias, de todos os
tipos, pois existem várias especialidades para animais assim
como exames laboratoriais.
Nas fotos que cedi para serem usadas
no site, coloquei umas seis imagens da minha cadelinha Surya, que
nasceu cega e surda. Tentamos com uma cirurgia oftalmológica
recuperar um pouco da visão, a membrana que cobria os olhinhos
dela foi retirada e documentei a cirurgia, não é
bonito, mas, é interessante. Não adiantou muito, ela so
percebe claro e escuro. Fotografei toda a cirurgia com a luz
ambiente, a fluorescente da sala cirúrgica e um pouco de
claridade que entrava pela janela. O resultado esta aí nas
fotos.
Já fotografei cirurgias
ortopédicas, partos, castrações, etc, dos mais
variados animais pets, chinchilas, coelhos, ratinhos e outros. Gosto
de clicar algumas, outras não, são muito pesadas para
se olhar tão de perto.
Se vc quer se dedicar e se tornar um
fotografo profissional dos pets, monte seu estúdio com
estrutura pra isso, mas, antes pense se vale a pena. Nos estados
unidos existem estúdios especializados em fotografias de pets,
os caras cobram bem e as revistas especializadas pagam bem, procurem
no Google.
Aqui em São Paulo tem um
fotografo que clica bastante os pets, o Leonel, é um argentino
que vive no Brasil já ha alguns anos, ele tem um vasto
portfólio. Suas fotos são sempre em fundo preto e ele
tem belas imagens.
Ainda não fotografei cães
de grande porte, não sei como seria porque as vezes o que se
imagina não é o que acontece na realidade, mas, imagino
que o faria com uma tele longa, algo como 55200, vai saber!
Gente, se vcs tiverem curiosidade e
gostarem do meu jeito de clicar, experimentem com os seus ou o de um
amigo, fazer do jeito que faço.
Junte uma mesa rente a parede, prenda
um tecido na parede e deixe cair cobrindo o tampo da mesa, ponha algo
macio como uma manta dobrada, o bichinho em cima do fundo, chame
alguém pra ajudar a segura-lo em cima da mesa, deixe sua
câmera preparada com o flash e inicie sua série, faça
bastante fotos pra sacar o que é legal e o que não é
e então divirta-se.
Lembre-se, o flash bounce, nunca
direto nos olhos do bicho, faça uns cinco disparos seguidos do
flash a meio metro dos seus próprios olhos e vc vai entender
porque deve ser bounce.
Se o pet que vc for fotografar for
calminho, legal !
Se for um foguetinho...então
boa sorte !!!
Use uma objetiva curta para ficar
próximo, vai poder fazer close e corpinho inteiro, a tele vai
dificultar na agilidade e ficar longe, tele so com o bichinho solto e
pulando de um lado para o outro.
O Jabuti que apresento nas fotos foi o
mais difícil de fotografar, ele fugia o tempo todo e era
rápido, só dava pra fazer um clique e voltava ele pro
lugar, ficava segurando e quando eu dizia okay, a pessoa soltava e só
dava tempo para um clique.
Jamais, jamais maltrate o animal, não
bata, trate-o com muito carinho, fale com ele, faça agrados
com biscoitinho quando ele fizer o que vc quer, ele vai entender.
Quando fotografei a Dra. Márcia
com a Jibóia, a cobra parecia que entendia o que ela falava,
tanto que consegui a foto que queria.
Não penso em fazer disto um
nicho de ganhar dinheiro, mesmo porque, criadores não tem
dinheiro pra pagar as fotos, clientes de veterinários já
gastam bastante com remédios e consultas, fazer um book já
vai pensar duas vezes e vai acabar optando por fazer uma foto com o
celular.
Como sou parceiro da Agencia Estado
(AE), mando minhas fotos de pets para meu banco de imagem e os
portais de internet estão sempre comprando minhas fotos de
cães e gatos, isto já é gratificante.
Protejam os animais, se vcs virem
maldades, por favor denunciem, não deixem passar em branco.
Atualmente existem leis para punir os maus tratos ao animais.
Visitem os sites da clinica para os
quais fotografo, SOS VET, vcs vão encontrar outras fotos que
não estão neste artigo.
O site do gatil ainda não esta
pronto, o endereço é gatilsathya.com.br ou
gatilsrisathya.com.br, logo estará on line.
Este é site do canil:
www.canilsathya.com.br
O meu flickr também pode ser
visitado para vcs terem uma idéia do que fotografo.
http://www.flickr.com/photos/40848634@N02/
Muito bem caros amigos e amigas, não
sei mais o que dizer, sou fotógrafo e não escritor, o
que posso dizer do fundo do coração é que:
Fotografem os bichinhos e com muito carinho, com muito carinho também
cuidem para que não sejam maltratados, vcs não tem
idéia das atrocidades que cometem contra eles.
Fotografar criança com pets
também é legal, a gente consegue boas imagens, é
preciso saber trabalhar bem a situação e ter o domínio
sobre ela. Este tipo de foto normalmente vai para publicidade e
precisa de um certo romantismo, não é fácil de
fazer, pois precisamos agradar cliente e diretor de arte que nunca
sabe o que quer.
Normalmente os cachorros usados são
Labrador, Golden Retriever e outras raças mais calmas,
filhotes ou adultos.
Fotos espontâneas, de animais na
rua ou soltos, visitem o site do Cruz, ele tem belíssimas
fotos de cães e gatos em situações, é de
dar inveja. Vai ter sorte assim no inferno!!!
Existe bastante literatura de fotos de
pets, é só procurar e ver as diversas maneiras de
clicar.
O fotógrafo Eliott Erwitt
publicou um livro, tamanho pequeno, de cães que ele fotografou
durante anos pelo mundo todo. São situações de
rua, espontâneas, é muito divertido de olhar, vale a
pena.
Deixo aqui um grande abraço
para todos.
Itaci Batista.