João Pessoa - PB

A
COSTA DO OURO: MINA DEESCRAVOS é o nome da nova mostra fotográfica aberta neste sábado (2 de abril) na ESTAÇÃO
CABO BRANCO
Deslocamento de signos, textos e imagens são aspectos facilmente perceptíveis na mostra fotográfica A Costa do Ouro: Mina de Escravos, de autoria do fotógrafo italiano Alberto Banal, que será aberta neste sábado (2), às 16h00, no segundo pavimento da Torre Mirante da Estação Cabo Branco, Ciência, Cultura e Artes, localizada no bairro do Altiplano. No dia da abertura haverá apresentação do grupo de ciranda Caiana dos Crioulos e a exibição de um vídeo documentário sobre o comércio de escravos e a realidade do Gana, país da África.
A mostra ficará aberta a visitação pública até o dia 30 de abril, de terça a sexta-feira das 9h00 às 21h00, sábados, domingos e feriados das 10h00 às 21h00.
A curadoria da mostra leva a assinatura conjunta do professor e historiador José Acácio Gouveia e da artista plástica Lúcia França. Na mostra o visitante vai encontrar 6 painéis, com imagens de tamanhos variados, que contam a história da ocupação dos europeus, do tráfico de ouro e do tráfico transatlântico de escravos para as Américas; 5 painéis com um panorama completo dos treze
castelos e fortes visitados e 10 painéis que ilustram a realidade atual do Gana.
O projeto é fruto de uma viagem feita pelo fotógrafo ao Gana, a
antiga Costa do Ouro, um dos mais antigos centros do comércio de escravos para as Américas. A Costa do
Ouro conserva intactos, ao longo dos 500 quilômetros de sua costa, 15
castelos e fortes que pertenceram a Portugal, Holanda, Inglaterra, Dinamarca, Suécia, Brandeburgo e França, que tinham enormes interesses comerciais. Os
castelos hoje estão sob a tutela do Ghana Museum & Monuments Board e, devido a sua importância histórica e arquitetônica, foram reconhecidos em 1984 como patrimônio da humanidade pela World Heritage Convention da Unesco.
O objetivo inicial era conhecer e documentar as origens de uma parte do povo negro escravizado no Brasil, cuja herança ainda é vivenciada nas comunidades quilombolas.
Com alguns amigos Alberto Banal visitou castelos, fortes e fortalezas no período de 5 a 21 de agosto de 2010. Conversou com habitantes do Gana e escutou suas histórias. Ele percorreu boa parte do país, de norte a sul, tentando entender a realidade do Gana e o que sobrou material e socialmente ao longo da costa. Ao retornar a Paraíba, onde fixou residência, Alberto Banal sentiu a necessidade de aprofundar seus conhecimentos sobre o tráfico dos escravos da África para várias partes do mundo, em especial, para o Brasil, e como isso transformou a realidade de vida destas pessoas e seus descendentes.
Se, ser negro é difícil, mais ainda é ser negro de comunidades rurais e nordestinas, disse Francimar Fernandes de Sousa, presidenta da AACADE, ativa no que concerne o processo de reconhecimento e descrição das comunidades quilombolas no Estado.
A Organização Não Governamental (ONG), AACADE, em documento oficial da entidade, diz que o Estado da Paraíba é pontilhado por comunidades quilombolas, do sertão ao litoral. Atualmente são 35 comunidades conhecidas no Estado e todas já conseguiram documento de reconhecimento.
A exposição A Costa do Ouro: Mina de Escravos tem o apoio da Prefeitura Municipal de João Pessoa, Estação Cabo Branco, Faculdade Mauricio de Nassau e é patrocinada pela Caixa Econômica Federal (CEF) e Ministério da Cultura do Brasil.
SOBRE
FOTÓGRAFO - Alberto Banal nasceu em Trentino, na Itália e é formado em Letras e Filosofia pela Università Degli Studi de Milão. Reside em João Pessoa (PB) desde 2005, onde atua como documentarista, dando visibilidade à população negra das comunidades quilombolas da Paraíba. É integrante da Associação de Apoio aos Assentamentos e Comunidades Afrodescentes (AACADE), onde coordena o projeto
Casas de Leitura. É autor do projeto Fotógrafos de Rua, em que ministra aulas de
fotografia para adolescentes de comunidades menos favorecidas. Integra a Casa dos Sonhos que trabalha com crianças e adolescentes na comunidade Santo Amaro, localizada no município de Santa Rita (PB).
SERVIÇO:
Exposição: A
COSTA DO OURO: MINAS DE ESCRAVOS
Expositor: Alberto Banal
Organização: AACADE (Associação de apoio as Comunidades Afrodescendentes) e CECNEQ (Coordenação Estadual das Comunidades Negras e Quilombolas da Paraíba)
Realização: CASAS DE LEITURA - FOTÓFRAFOS DE RUA
Apoio: Estação Cabo Branco Ciência Cultura & Artes - Prefeitura de João Pessoa SEDEC - Faculdade Maurício de Nassau
Patrocínio: Caixa Econômica Federal (CEF) e Ministério da Cultura do Brasil.
Abertura: Sábado (2 de abril)
Hora: 16h00
Local: Segundo pavimento da Torre Mirante da Estação Cabo Branco - Ciência, Cultura & Artes - Altiplano.
Até 30 de abril
Informações: 3214.8303/8270