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Manuel Álvarez Bravo: fotopoesia
de 27 de novembro de 2011 a 26 de fevereiro de 2012
.




Rio de Janeiro - RJ

A exposição com 250 imagens enfatiza a produção seminal do fotógrafo entre os anos 1920 e 1950, percorrendo extensivamente sua obra ao longo de mais de 70 anos de atividade artística. A mostra foi produzida em colaboração com a Associação Manuel Álvarez Bravo, dirigida por Aurélia Álvarez Urbajtel e Colette Álvarez Urbajtel, respectivamente filha e viúva do fotógrafo, e conta também com o apoio do Museu de Arte Moderna, Instituto Nacional de Belas Artes, México.



Um dos grandes nomes da fotografia mundial, Manuel Álvarez Bravo é o nome de maior relevância na fotografia do século XX de seu país. Nascido na Cidade do México, cresceu em uma família que valorizava o contato com a cultura. Na adolescência, frequentou assiduamente museus, livrarias e sebos, formando sua própria biblioteca. Nesse período, foi introduzido à fotografia por Luis Ferrari, um amigo de escola de Tlalpan. Seus primeiros trabalhos fotográficos, no começo dos anos 1920, exploram alguns elementos da tradição fotográfica pictorialista, influenciados pela obra de fotógrafos então atuantes no México, como Hugo Brehme, Guillermo Kahlo, pai da pintora Frida Kahlo, e Agustín Casasola, que documentou extensamente a revolução mexicana.


Na segunda metade dos anos 1920, Álvarez Bravo desenvolve uma abordagem mais autoral, que se distingue por imagens de natureza experimental, formal e abstrata. Essa primeira fase, de caráter mais geométrico e purista, é influenciada pela fotografia direta (straight photography) norte-americana no México, em virtude da presença no país, naquele momento, dos fotógrafos Edward Weston e Tina Modotti.


Mas são os ecos da revolução mexicana (1910-1920) e a influência temática de fotógrafos como Hugo Brehme – que contribuiu para estabelecer uma iconografia fotográfica mexicana centrada em sua cultura indígena, em sua gente e em sua paisagem – que levam Álvarez Bravo a uma fotografia de vanguarda desconstrutiva já nos anos 1930. Bravo, como muitos outros fotógrafos do período – entre eles Paul Strand, nos EUA, e Thomaz Farkas, no Brasil –, passa a produzir uma fotografia mais complexa e simbólica.


Em Álvarez Bravo, o movimento crítico em direção a uma linguagem mais engajada manifesta-se por uma profunda estética “fotopoética”, tendo a cultura e o povo mexicano como seu tema principal. Há um resgate dos valores mais profundos da cultura popular e, simultaneamente, uma negação crítica da sobrevalorização da autoria na obra de arte. Uma referência concreta para sua concepção do artista popular foi o gravador José Guadalupe Posada, cuja obra influenciou o círculo de artistas próximos a Álvarez Bravo nos anos 1920 a 1940, como os pintores Diego Rivera, Frida Kahlo e José Clemente Orozco.


O trabalho fotográfico de Álvarez Bravo dialogaria ainda com diversos movimentos artísticos em meados dos anos 1930, quando, com a guerra já sendo antecipada na Europa, muitos artistas e intelectuais europeus e norte-americanos dirigiram-se ao México, entre eles André Breton, Antonin Artaud, Henri Cartier-Bresson, Paul Strand e Sergei Eisenstein. A presença de André Breton na Cidade do México nesse período e sua interação com Álvarez Bravo levam a uma intensa colaboração dos dois artistas em torno do movimento surrealista, contribuindo também para aproximar Álvarez Bravo ainda mais de uma linguagem poética em sua obra, já que o próprio movimento surrealista caracterizou-se por incluir a poesia como ponte para a descrição de aspectos do subconsciente.


Sua obra, que visitou diversas tendências da modernidade e das vanguardas, e até mesmo o aproximou posteriormente do cinema, manteve dessa maneira ao longo de toda sua vida uma linha estética e artística ancorada no potencial poético das imagens que criava. Seu trabalho influenciou diversos fotógrafos no México e em outros países, entre eles Marcel Gautherot. Esta exposição inclui um reduzido conjunto de imagens realizadas por Gautherot no México em 1936-1937, pertencentes ao acervo do IMS. A serviço do Musée de l’Homme de Paris, Gautherot documentou o país e conheceu Álvarez Bravo pessoalmente, fato este que declaradamente marcaria sua produção fotográfica posterior realizada no Brasil.


No mesmo dia da abertura da exposição, será lançado no Brasil o livro Manuel Álvarez Bravo: fotopoesia, com 374 imagens do fotógrafo. O volume tem prefácio de Colette Alvarez Urbajtel, viúva do fotógrafo, ensaios de apreciação crítica assinados pelo crítico e historiador da fotografia francês Jean-Claude Lemagny e pelos romancistas John Banville (irlandês) e Carlos Fuentes (mexicano), bem como uma cronologia e bibliografias completas. 




 
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